A tentativa de se desapegar um pouco do passado recente, clamor de parte da torcida colorada após a derrota no último Mundial, começou a ser posta em prática rapidamente pela direção. Se não houve nenhuma contratação ainda neste ano, o Inter soube se desprender de peças com histórico importante no clube - algumas delas, inclusive, alvo de críticas nos últimos meses por parte da torcida. Num período de 30 dias, quatro remanescentes - e titulares - da conquista do bi da Libertadores, em 2010, deixaram o Beira-Rio, sendo que dois deles ainda estavam entre os 11 iniciais. É uma geração vencedora mais perto de encerrar seu ciclo.
O último caso ocorreu de surpresa, na noite de sexta-feira, com o pedido de rescisão contratual partindo de Guiñazu, que voltará ao Libertad, do Paraguai. A transferência do argentino seguiu a tendência dos outros três nomes descartados: por respeito à trajetória do atleta, o Inter tem procurado não forçar a saída nem dificultar um eventual desejo do jogador de procurar outros ares. Em suma, fugir de despedidas traumáticas.
No entanto, para os outros nomes foi um pouco diferente, já que não contavam mais com o respaldo dos fãs, ao contrário de Guiñazu, ainda ídolo. De uma maneira ou de outra, o fato é que a expressão "rescisão amigável" virou moda no Beira-Rio.
Na quinta, foi o zagueiro Bolívar, capitão no bi de 2010, a fechar um acordo e deixar o clube. Caso semelhante ao do goleiro Renan, em meados de dezembro, que rumou ao Goiás. Antes, no início de dezembro, Nei deu adeus. O lateral, no entanto, apenas não teve o vínculo renovado.
| Jogador | Quando saiu | Como saiu |
|---|---|---|
| Renan | 17 de dezembro de 2012 | Rescisão amigável |
| Nei | 4 de dezembro de 2012 | Fim do contrato |
| Bolívar | 3 de janeiro de 2013 | Rescisão amigável |
| Índio | Segue como titular | - |
| Kleber | Segue como titular | - |
| Sandro | agosto de 2010 | Venda |
| Guiñazu | 4 de janeiro de 2013 | Rescisão amigável |
| Tinga | 17 de maio de 2012 | Rescisão amigável |
| D'Alessandro | Segue como titular | - |
| Taison | 25 de agosto de 2010 | Venda |
| Sobis | junho de 2011 | Fim do empréstimo |
Essa maneira de despedida deflagra a predisposição colorada em não segurar jogadores de idade avançada ou de longos serviços prestados ao clube. Ou seja, a palavra de ordem atende por renovação. Que já havia começado, de maneira mais tímida, em 2011, ao não renovar o empréstimo de Rafael Sobis, então vinculado ao Al-Jazira, abrindo a chance de o Fluminense contratar o atacante. Depois, em maio de 2011, o Inter não fez força e concordou em liberar Tinga para acertar com o Cruzeiro.
Do time titular que entrou em campo na decisão da Libertadores de 2010, vitória por 3 a 2 sobre o Chivas, no Beira-Rio, apenas dois jogadores deixaram o clube por meio de vendas: o volante Sandro, repassado ao Tottenham, e o atacante Taison, negociado com o Metalist - ambas as transferências realizadas em 2010, logo após a conquista.
Dos 11 iniciais daquele 18 de agosto, seguem com o mesmo status o lateral Kleber, de contrato renovado até o fim desta temporada, e D'Alessandro, alvo constante do mercado chinês e de clubes argentinos. Índio parece ser a exceção. Aos 37 anos, teve no ano passado o seu vínculo estendido. Terminou 2012 como titular, mas terá bastante concorrência sob comando de Dunga, com os colegas Rodrigo Moledo e Juan.
Ao todo, 30 jogadores atuaram ou participaram do grupo naquela Libertadores. Seguem os goleiros Lauro e Muriel e o centroavante Leandro Damião - os dois últimos titulares absolutos desde 2011.
Guiñazu na decisão contra o Chivas, em 2010
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